Sobre laços familiares
Dia desses, enquanto caminhava pela praia e conversava com a minha namorada, chegamos à conclusão do quão difícil deve ser não ter um único familiar presente. No momento, versávamos sobre a veterinária que atende meus cachorros e coincidentemente tornou-se amiga da família: após ter crescido sem pai, se viu enterrando a própria mãe graças ao vírus apelidado de "gripezinha" pelo inominável que se denomina presidente do país. Concordamos que a solidão pode ser avassaladora e que família é importante. Nenhuma de nós saberia o que fazer caso fôssemos privadas daquela única pessoa. Para ela, que havia crescido próxima de pai, mãe, avó e irmã, essa possibilidade era um pouco mais distante. Para mim, que havia crescido somente com a minha mãe, não. E aqui entra a reviravolta. Minha mãe me criou. Dentre os modelos familiares brasileiros, ainda que um contrato determinasse que ela era casada e que nós (meu irmão e eu) tínhamos um pai, nossa família sempre foi composta por...