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Mostrando postagens de outubro, 2022

entre maio e outubro

Uma coisa se destacou, no entanto: quando alguém chega perto demais, fico aterrorizada com abruptos "adeus". Quando eu não encontro motivos para partir, sigo aterrorizada.  Talvez, por isso, eu não me veja casando.  29 de maio, dia do acolhimento com a nova psicóloga.  Quando eu comecei a me consultar com a Duda, atual psicóloga e parte vital da minha rede de apoio, tinha em mente que gostaria de me preparar para adentrar em relacionamentos românticos duradouros. Eu não entendia muito bem de onde tamanho ceticismo vinha, mas queria acreditar, novamente, na ideia de um relacionamento romântico - ideia essa que fora abandonada quando ainda estava em meu primeiro namoro.  Achava que o cinismo residia em mim, e por isso continuava buscando motivos para partir quando conhecia alguém pelo qual me interessava.  Achava que talvez algo tivesse se partido ou, talvez, enferrujado.  É uma ironia ser uma romântica incurável, celebrar finais felizes, acompanhar a vida am...

ao Leo

 Meu irmão demorou dois anos para assumir a namorada. Meu irmão, um homem heterossexual, branco e de classe média conheceu a atual (e única) esposa quase uma década atrás. Começaram a flertar a relação acabou evoluindo: tornaram-se namorados, amantes, companheiros.  Por dois anos, os dois primeiros anos, sempre que saía com ela após o trabalho, ele ligava e dizia que veria um amigo. Se arrumava, faltava aula na faculdade, ficava fora de casa até três da manhã, se entupia de perfume, fazia dívidas irresponsáveis porque queria prover do bom e do melhor sem ter a menor consciência do quanto poderia e deveria gastar. Meu irmão.  Eu, dois meses após conhecer a atual (e única) pessoa com a qual me vejo casando e dividindo a cama, o apartamento, as plantas, os livros, as roupas e as esperanças pelas próximas décadas, me vi doente por não compartilhar com a minha família sobre a minha relação. Os contextos em muito se diferem: meu irmão é hétero; eu, não. Minha mãe riu e se pergu...