entre maio e outubro

Uma coisa se destacou, no entanto: quando alguém chega perto demais, fico aterrorizada com abruptos "adeus". Quando eu não encontro motivos para partir, sigo aterrorizada. 

Talvez, por isso, eu não me veja casando. 

29 de maio, dia do acolhimento com a nova psicóloga. 


Quando eu comecei a me consultar com a Duda, atual psicóloga e parte vital da minha rede de apoio, tinha em mente que gostaria de me preparar para adentrar em relacionamentos românticos duradouros. Eu não entendia muito bem de onde tamanho ceticismo vinha, mas queria acreditar, novamente, na ideia de um relacionamento romântico - ideia essa que fora abandonada quando ainda estava em meu primeiro namoro. 

Achava que o cinismo residia em mim, e por isso continuava buscando motivos para partir quando conhecia alguém pelo qual me interessava. 

Achava que talvez algo tivesse se partido ou, talvez, enferrujado. 

É uma ironia ser uma romântica incurável, celebrar finais felizes, acompanhar a vida amorosa dos amigos, mas continuamente isentar-se do momento. 

Foi ao longo das terças-feiras que entendi ser um reflexo: quando o Outro não queria ficar, eu buscava razões para fugir. Foi também ao longo das terças-feiras que aprendi a fechar portas, por mais dolorido que fossem. Eu encontraria o último romance, e este não me faria insistir em recomeços e chances e conversas sem reciprocidade. 

Foi em uma quinta-feira que conheci o último romance, e esse fora tão certeiro que esqueci de comunicar à terça-feira que estava namorando - essa só descobriu quando minha mãe também o soube. 

Eu não me visualizo em qualquer outro lugar, com qualquer outra pessoa, que não seja aninhada em braços finos, cachos ruivos e aroma de óleo de côco. 

Eu não me visualizo, hoje, dois de outubro, não me casando. 

(alerta: ter filhos ainda é uma conversa a ter! essa página ainda está longe de virar pra mim. a terça e a quinta feira possuirão infinitas horas de diálogo)

Hoje, assim como Kodaline, 

all I want is nothing more

to hear her knocking on my door. 

(mas essa música tem um final triste, então voltemos para High Hopes e todas as músicas felizes de amor). 

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