Virginia Wolf encontra Taylor Swift (e tomamos café)

Tuesday.

Dearest,


I feel certain that I am going mad again. I feel we can't go through another of those terrible times. And I shan't recover this time. I begin to hear voices, and I can't concentrate.
 So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don't think two people could have been happier till this terrible disease came. I can't fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that -- everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer.

I don't think two people could have been happier than we have been.

V.

Ontem (foi ontem?) me deparei com a última carta escrita por Virginia Wolf, aquela em que ela se despede de seu marido antes de encher seu bolso com pedras e atirar-se ao rio. 

O momento foi extremamente apropriado (cosmicamente irônico), pois é como me sinto. Eis a verdade que não consegui escrever a mão nas páginas do meu diário de terapia: nas últimas vinte e quatro horas, pensei em desistir inúmeras vezes. Nas últimas semanas, o pensamento tem me seguido como uma sombra. 

A desistência vem de inúmeras formas: pedir demissão de um dos empregos, não responder aos meus amigos, não responder meu irmão, não entrar em contato com minha mãe, não ter forças para sair da cama (ou do chuveiro; fiquei dez minutos sentada no chão do banheiro porque não conseguia sair daquele local após o banho). 

A desistência vem quando penso que estou próxima ao fundo do poço e conheço o caminho.
Exatamente por conhecê-lo, sei que há uma saída. 
Exatamente por conhecê-lo, sei quão longo o caminho é. 

Admito que preciso de ajuda (por isso tenho acionado com frequência a psicóloga, me esforçado para comparecer às sessões e solicitado extras). Admito que preciso me vigiar, estar mais atenta ao atravessar a rua e ficar longe de corpos d'água. Me conheço bem demais para não. 

Estou exausta. Verdadeiramente exausta.
Não quero abrir mão de partes da minha vida, tampouco tenho forças para lutar por elas. A psicóloga disse que preciso analisar se extrapolei meus limites ou se consigo retornar para essa situação - e a verdade é que extrapolei todos os limites. 
Estou tentando caber aqui. Estou tentando redimensionar meus sentimentos, processá-los da melhor maneira, para que seja possível caber aqui, mas também me lembro da catarse de Callie, em Grey's Anatomy. 

This is me trying e todos os clichês. 

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