#137: a praga faz parte da natureza.

Nos últimos dias, pensei em escrever e também sobre o quê escrever, já que, ao criar esse espaço, acabei utilizando um apelido querido que também é uma lembrança direta de alguém que constantemente faz ecoar medos e inseguranças em mim. 

Não sei como é a sua relação com o medo e a insegurança, mas, em mim, é de uma constante ansiedade porque esses são os dois sentimentos que eu aprendi a combater. Dentro de mim, enraizada em meu peito, sempre esteve a noção de que eu preciso demonstrar confiança, extroversão e dinamismo nas relações para que as pessoas reparem em (ou gostem de) mim. 

O medo ficou guardado para os momentos privados, aqueles em que eu estava sozinha e poderia encarar o sentimento de frente e desvendá-lo. A insegurança ficou no cantinho do peito, e a ansiedade eu aprendi a deixar fluir como ondas em um vasto oceano que, em algum momento, irão se dissipar. 

Não foi até hoje que percebi a diferença entre permitir sentir e permitir ser vista, porque por mais que o sentimento fosse acolhido, era sempre por trás de alguma cortina ou porta, afastada das pessoas que olhariam para mim. 

Ontem mesmo estava eu pensando em quão chata eu me torno quando confio que alguém pode visualizar esse lado meu. Quando, na verdade, não. Há duas pessoas em minha vida que me conhecem por completo e de quem não preciso esconder nada, e, a bem da verdade, são com essas duas pessoas que mais rio e apresento meu lado espontâneo sem precisar ensaiar essa espontaneidade (a espontaneidade ensaiada ainda pode ser considerada espontânea?)

Adormeci com essa ideia de precisar me fechar para novas relações porque, se eu não estivesse segura e confiante de que poderia administrá-las no momento, então eu não deveria buscá-las em primeiro lugar. Acordei e, como de praxe, tirei as primeiras horas de domingo para ouvir podcasts e relaxar. Foi então que a seguinte frase me encontrou:

"a gente envenena as coisas para esconder a ideia de que a praga também faz parte da natureza."

Quantas relações eu envenenei nos últimos tempos? E quantas vezes eu me fiz encher o cálice e sorver desse próprio veneno, dizendo a mim mesma que eu não estava preparada para aquele momento ou aquele sentimento pelo simples fato de temer o desconhecido?

Quantas vezes eu disse a mim mesma que, se eu não estava certa, então não deveria seguir adiante?

Mas quem é que está certa de tudo o tempo todo? Acho que nem mesmo a Mulher Maravilha (e, aliás, eu ultimamente tenho fugido desses filmes de heróis que não têm sentimentos reais)

Essa semana começarei minhas aulas de dança em um novo local. Mesmo o mesmo acontecendo somente na quinta-feira, já sinto o frio na espinha e os insetos se movimentando em meu estômago, me alertando sobre o novo e as infinitas formas de que algo pode dar errado. Me alertando, principalmente, sobre a possibilidade de esbarrar em quem não quero, de não dançar bem o suficiente, de ficar tão preocupada em ser uma versão melhor de mim mesma que esquecerei de me divertir e aproveitar o momento. 

Como diria Luca: SILÊNCIO, BRUNO! 

Porque a praga também faz parte da natureza. E o medo, de mim. 

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