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 Mãe,


Você se lembra quando disse que eu não poderia ser "isso" na sua casa? 

Eu pensei que o tempo fosse ajudar - que, com as semanas, você veria que eu continuava sendo a sua filha e que a minha sexualidade (agora "exposta") não interferiria em nada. 

Não foi o caso.

Quando eu te disse que eu estava verdadeiramente feliz em uma relação, você me respondeu que não importava porque você não estava feliz. Com os dias, parei de falar sobre mim e sobre qualquer coisa mais pessoal. E quanto mais eu me retraía, mais a sua normalidade voltava. 

Conforme eu crescia, ouvia você dizendo que passou a vida inteira sendo submissa a outras pessoas e que nunca pôde verdadeiramente fazer o que queria, ser quem queria, porque precisava corresponder ao que sua mãe e, depois, seu marido queriam e diziam. 

Isso me fez perceber que não queria ser da mesma forma. Eu não queria ser refém. 

Eu sempre digo às pessoas que você é minha única família porque, a bem da verdade, embora meu irmão seja um membro dessa, você me criou sozinha. Foi você que me incentivou a focar nos meu estudos e a "ser alguém na vida". Também foi vendo você que aprendi a ter controle sobre as minhas finanças e a planejar o futuro, pois era melhor estarmos preparadas para o que viesse. 

Você me ensinou a ser a minha própria pessoa, mãe. No entanto, quem eu sou e quem você quer que eu seja são duas pessoas levemente diferentes.

Eu espero que, com o tempo, você consiga ver que essa diferença não me impede de ser sua filha, porque você nunca deixará de ser a minha mãe. 

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