Demorei para escrever. 

Passei a semana inteira dizendo que faria, que precisava tirar do peito e colocar no papel, mas, assim que abri o caderno, a única frase que consegui rabiscar foi "Não quero mais estar aqui".

Fico esperando pelo dia 23, por alguma explicação cósmica, por uma sombra que saia de cima de mim, que desgrude das minhas costas e deixe meus pensamentos mais limpos. Fico esperando por algo indefinido. Fico esperando...

Esperar tem sido o exercício mais constante (e mais estressante). 

Ao menos, se eu continuar esperando, pode ser que algo bom aconteça. Se eu desistir, terei somente o ruído branco em meus ouvidos. 

Tentaram me dizer que minha vida é importante e impactou várias outras. Agradeço, de verdade. Mas de que adianta me preocupar com o impacto dela se ela não me é bem quista? Fico feliz pelo que foi feito, por quem eu fui até hoje - mas penso que é hora de parar. 

Remédios não são mais uma ideia tão ruim assim. Será que consigo improvisar?

Às 07:12 da manhã, fico me perguntando se devo dizer a alguém o que estou pensando ou se devo deitar novamente e fingir que nada aconteceu. 

Amanhã terei que voltar a ser o personagem. Talvez seja melhor procurar os remédios. 

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