Chasing Pavements
Cara você,
Eu não sei se continuaremos juntas.
Honestamente, fico refletindo sobre quão desgastado e repleto de limites e desconfianças esse relacionamento se tornou. Os limites são justificados, é claro, mas hoje são um tanto quanto extremos.
Sei que há casais que vivem sem ter contato com a família do outro, mas não sei se, como eles, teríamos estômago para isso.
Viver nesse constante estado de angústia é adoecedor. Será que aguentarei viver sempre em alerta, sempre sentindo que preciso me defender desse relacionamento? Será que você aguentará?
É verdade que você é alguém melhor hoje, mas eu precisava dessa pessoa desde o início. De que adianta sua exasperação por não ter minha confiança hoje, após o estrago ser continuamente feito?
Não que seus esforços sejam em vão - mas, talvez, sejam melhor apreciados em uma nova relação. Uma com menos bagagem, com alguém livre de traumas e que queira contato com sua mãe. Alguém que não tenha vivido tudo isso.
Será que o correto seria admitir que não estamos indo a lugar algum e nos libertar?
Talvez o seu primeiro relacionamento seja isso: o relacionamento que te faz crescer, assim como o meu me fez.
Digito isso, mas também tenho profundo medo de viver sem você.
Ainda assim, não acho que medos devam nos impedir de fazer o que for melhor para nós. Por isso, incessantemente, pondero: essa relação é realmente o melhor? Ou devemos saber partir?
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